CONCERTOS DE CONDOMÍNIO...OS PIORES
CRÓNICA DE LISBOA (22)
– daqui, António Privado
O meu apartamento fica no primeiro piso de um prédio de 4.
Comprei-o assim expressamente por não gostar lá muito de alturas. Tenho, contudo, uma boa panorâmica na sala e cozinha, situação muito agradável, dado que não me sinto encurralado por outros prédios, o que acontece frequentemente em casos que conheço.
É uma zona sossegada, com relvados e arvoredos, um café de qualidade a poucos metros , 3 supermercados concorrenciais e ainda um shopping onde se pode ir a pé. Nada mau, numa zona que não é rica.
O problema é que meu vizinho do primeiro andar é um pouco descompensado. No ano passado tinha um gatinho, sempre na varanda, de noite e de dia. Penso que passava fome, frio e calor, e miava de noite e de dia, incomodando todos os condóminos e até quem passava na rua.
Dado que ele não aceitava as reclamações dos pares, eu próprio telefonei à Polícia mas queria ficar no anonimato. Outro problema surgiu então: A Policia interviria sim, mas com meu nome como queixoso, o que me fez desistir da queixa, não fosse o homem depois ajustar contas comigo.
O gatinho desapareceu e juro que não o matei, nem seria capaz de tal crueldade. O dono sim, eu acho que o matavaaaaaaaaa!!!
Agora, de vez em quando, outro incómodo surge, aos sábados e domingos em que não é permitido ruído para além de alguns decibéis: O meu vizinho aumenta o volume de sua aparelhagem musical, sentindo-se, parece, assistir a um concerto da Madona num estádio de futebol. É demais!
Ainda telefonei à Policia, mas meu nome teria que ser registado e, pior, invocado perante tal energúmeno, como no caso do gatinho. Ufa…, desisti da queixa.
Se querem ouvir a Madona em concerto, estou à vossa disposição. Venham ao meu apartamento e ainda tomam um drink, bem instalados no sofá. Acreditem que nada cobro.
Só há um problema:
Não sei o dia do espectáculo e nem vou perguntar ao homem.
António Privado
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